Cada vez que viajo até Florianópolis tenho a mesma sensação: de que não consegui retornar por inteiro. O dia seguinte (hoje) fica tão sem sentido, tão vazio, e sei que é porque uma parte de mim ainda está lá, sentada em um dos bancos da Av. Beira Mar, ouvindo os carros passando de um lado e as gaivotas mergulhando através do pôr-do-sol de outro. Sim, foi assim que passei os últimos minutos de ontem.

Não estou falando daquela visão idealizada que os turistas fazem de Floripa – na qual tudo se resume à praias regadas a champanhe francesa, mansões do Jurerê Internacional e baladas cheias de VIP´s em lugares paradisíacos. Estou falando da Floripa que eu conheci e com a qual convivi por 17 anos da minha vida. Apesar das profundas mudanças pelas quais a cidade passou nestes últimos 10 anos, ainda consigo reconhecer aquela Florianópolis pacata, na qual é possível simplesmente sentar-se na Praia da Solidão e sentir o vento massagear o rosto sem ouvir qualquer outro ruído. Ou deixar o carro me levar para qualquer canto da ilha para que eu possa assistir ao desfile de cartões postais pelo pára-brisa. Tudo estava lá, do jeitinho que eu deixei há 7 anos atrás. Um pouco mais escondida entre os arranha-céus e os condomínios, mas no fundo nada se perdeu. Até mesmo a escola da minha infância resistiu.

Sinto muita falta da minha terrinha. Sei que a vinda para São Paulo era necessária e me trouxe muitas coisas boas – coisas sem as quais hoje não teria encontrado minha verdadeira felicidade. Mas sinto que está chegando a hora de recolher as conquistas e voltar. Se não for exatamente Floripa, queria ir para um lugar com a mesma essência – um lugar onde é possível ter contato com as coisas mais simples da vida sem ter que pagar um alto preço (não só financeiro) para isso.

Li esta frase em uma das inúmeras paredes rabiscadas da USP e não consegui deixar de sorrir. Fiquei imaginando em que contexto a pessoa teria escrito estas palavras tão intrigantes. Será um pedido para um antigo amor? Ou seria uma brincadeira entre amigos poetas?

Ontem passei pela frase de novo. Não, não foi assim ao acaso, eu propositadamente forcei o caminho para encontrá-la outra vez. Fiquei ali, refletindo. E cheguei a conclusão que esta seria uma frase que eu escreveria para mim mesmo, pois acho sinceramente que devo a mim mesmo muitos poemas. Eu fico nesse modo automático e racional de resolver as coisas, nesse pragmatismo inerte com fim em si próprio, e não consigo relaxar e ver a poesia a minha volta.

É o caso desse blog, por exemplo. Este precioso espaço que cativei para relaxar a mente e poder voar com meus pensamentos está totalmente abandonado. Os prazos de entrega, as tarefas, o dia-a-dia, tudo está em primeiro plano.

Fiquei feliz por, pelo menos, ter reparado no rabisco da parede. E mais feliz ainda pelo recado que ele trouxe. Tomara que os poemas encham de cor a minha existência para sempre, e que eu consiga vê-los, nítidos, colorindo as paredes da minha mente.

Obrigado, pichador anônimo!

Forme fila, futuro!

Filosofia, Fotografia e Francês

Fulminar a fome de fuga

Em um frenesi auto-filantrópico de futricar

- Olha, vamos fazer isso de forma bem rápida e você nem vai sentir, ok? Prometo a você que não vai doer nada, não se preocupe. Vamos lá, vire aqui em minha direção, erga a cabeça e relaxe os ombros. Isso, estamos indo muito bem. Sabe, todo mundo chega aqui com medo, isso é normal, mas eu asseguro que você irá sair muito melhor do que entrou. E eu sei que você não tem a menor prática, portanto serei muito paciente pois não tenho a menor pressa. O importante é que você saia daqui consciente de que pode recorrer a este tratamento sempre que precisar. Aliás, você pode submeter-se mesmo sem sintomas, pois é algo benéfico mesmo quando as coisas parecem normais e assintomáticas. Bom, acho que estamos prontos. O primeiro passo é movimentar os músculos da face de forma que os seus lábios curvem-se para cima nas extremidades. É como se você tivesse uma linha em cada canto da boca e alguém puxasse estas linhas para o alto, sabe? Não, não é bem assim. É pra cima, não pra baixo. Vamos tentar assim: coloque os seus dedos indicadores nos cantos de sua boca. Certo, agora mova-os na direção dos seus olhos até que as bochechas impossibilitem ir mais longe. Ótimo, você conseguiu! Tá vendo este formato na sua boca? Isto chama-se sorriso. Não é lindo? Aliás, você tem um sorriso muito bonito mesmo. E nem dói, né? Não, imagina, isso não vai enrugar ainda mais a sua pele, e mesmo que isso ocorra você verá que os benefícios serão muito maiores do que este pequeno efeito colateral. Vai por mim, vale a pena. Dá menos rugas do que o choro, com certeza! Bom, mas voltando, conseguimos evoluir, mas agora você precisa tentar fazer este sorriso sem a ajuda dos dedos. É como quando a gente anda de bicicleta com aquelas rodinhas do lado: elas ajudam por um tempo, mas é bom livrar-se logo delas senão não aprendemos corretamente. Sinta com o dedo quais os músculos que foram contraídos durante o movimento do sorriso e tente estimulá-los sem as mãos. Vai, força. Pode fechar os olhos, não tem problema. Opa, tô conseguindo ver, tá quase, quase… pronto! Conseguimos nosso primeiro sorriso autônomo! Abra os olhos e veja no espelho. Muito bom, de verdade. Tá vendo como não dói e como faz bem? Legal, agora vai treinando enquanto eu vou tomar um gole de água. Você verá que pode arcar ainda mais esse sorriso. E na nossa próxima aula vamos tentar fazer o sorriso mostrando os dentes para depois tentarmos a gargalhada. Essa é bem mais difícil, nem todos conseguem, mas nós vamos tentar, certo? Vamos tentar sim, poxa! Olha, tem gente que se emociona tanto com a gargalhada que até sai daqui chorando de alegria. Confia em mim, você vai adorar. Então tá, vai praticando esse sorrisão lindo aí e na próxima semana a gente volta. Um beijo! Ah, tá, o beijo é na aula seguinte à da gargalhada, esqueci. Bom, tchau então!

No último Domingo fomos no show do Maroon 5. Sempre simpatizei bastante com a música deles apesar de não ser um grande fã. Sim, eu imaginava que o público seria um pouco abaixo dos 30, mas quando chegamos ao local do espetáculo vi que aquela noite seria mais do que um simples show musical: seria também uma experiência antropológica, pois a idade média beirava os 18. Média, eu disse. Bom, vestimos nossas camisetas Sukita e entramos.

O show foi muito bom. Muito bom mesmo. Musicalmente os caras não são espetaculares, porém cumprem muito bem o seu papel de entretenimento. À nossa volta várias adolescentes gritavam, choravam e cantavam histericamente, não necessariamente nesta ordem. Eu também cantei muito e saí quase sem voz. Não histericamente, é claro.

Antes do show eu fiquei olhando ao redor e percebi o quanto o mundo evoluiu em tão pouco tempo. Era nítido o abismo que existia entre aquele pessoal e os adolescentes da minha época. Todos desfilavam seus celulares, i-pods e câmeras digitais com uma naturalidade tão impressionante que aquelas invenções pareciam ter séculos de existência. As roupas, os cabelos, tudo era tão diferente… e olha que estamos falando de no máximo 15 anos de diferença. Fiquei lembrando dos shows do Paralamas do Sucesso no LIC em Floripa e tentando comparar as duas platéias. Simplesmente incomparável. Tudo novo de novo.

Fiquei me questionando se também estamos evoluindo em outros temas. Acho, por exemplo, que os jovens de hoje são muito menos preconceituosos, são muito mais abertos a diferentes culturas ou modos de vida e não carregam mais aquele peso enorme de ter que ser aquilo que as outras pessoas esperam. Acho que essa liberdade é uma das grandes conquistas desse último século. Vi uma galera muito saudável de corpo e mente e saí contente do show. Claro que ainda há muito para evoluir, principalmente no que diz respeito ao excesso de individualismo e de materialismo, mas eu tive a impressão de que estamos indo no caminho certo. Um passo de cada vez, pensei.

Quando chegamos no carro, haviam quebrado o vidro lateral e levado duas bermudas e uma jaqueta que estavam sobre o banco traseiro. E voltei à realidade nua e crua de mais uma noite paulistana onde o Via Funchal não é para todos.

2008 bestá acabando, e tenho a sensação de que, sim, fiz muita coisa neste ano: quitei o apartamento, saí da empresa, fechei contas de banco, conheci a professora Ana na USP, estou cursando a disciplina como Aluno Especial, juntei toda a papelada e fiz as provas do Mestrado, entreguei o pré-projeto, vendi meu carro… ou seja, foi um ano de transição, de organizar a casa para o ano que vem. Agora a casa está prontinha, totalmente organizada, e a letargia bateu na minha porta.

No dicionário, letargia é o “estado mórbido em que as funções da vida estão atenuadas por forma tal que parecem estar suspensas”. É assim que estou me sentindo nestes últimos dias, como se minha vida estivesse de férias e todas as atividades tivessem sido canceladas – a não ser as funções vitais, obviamente. Enquanto não sair o maldito resultado do Mestrado eu sei que vai ser assim: não vou ter forças para começar nada novo sem saber o que será do meu futuro no ano que vem. E essa letargia afeta tudo, até mesmo a vontade de escrever, de ler, de ouvir música. Eu poderia estar me divertindo, passeando, lendo um bom livro na piscina, mas não: fico aqui, navegando na Internet, jogando Campo Minado e olhando para o relógio. Mentira, ontem eu fui buscar o ferro de passar roupa que havia quebrado e hoje eu fiz uma lasanha. Deliciosa. Entendeu o drama?

Quero ensinar Excel para crianças carentes. Quero estudar francês. Quero correr no bairro e perder essa maldita barriga. Quero escrever num livro. Tudo para depois do dia 10 de Dezembro. Foda!

Escolher o nome de um blog é complicado, ainda mais quando a pessoa não sabe exatamente sobre o que vai escrever. Se é um blog temático fica bem mais fácil: se eu fosse escrever sobre a indústria automobilística, por exemplo, o título seguramente seria uma combinação aleatória de  ”auto”, “car”, ”carros”, “veículos”, “rodas”, etc. Se fosse algo ligado ao meio-ambiente, “eco”, “verde”, “green” ou “ambiente” certamente estariam presentes. E quando o blog tem como objetivo ser uma válvula de escape de uma mente absurdamente inquieta que não tem o menor compromisso com um tema específico? Talvez o mais correto seria combinar palavras como “loucuras cotidianas”, “idéias malucas”, “recordações” ou “reflexões”. As duas primeiras seriam mais fiéis à proposta, só que eu considero que minha saúde mental ainda está alguns pontos abaixo da loucura na escala da sanidade – o que é bastante relativo, controverso e efêmero. Porém, decidi não polemizar e abortar estes títulos por via das dúvidas.  As duas últimas, por sua vez, de alguma forma engessariam meu pensamento: ou teria que falar exclusivamente do meu passado (recordações) ou teria necessariamente que refletir, quando às vezes o que eu quero é simplesmente constatar.

Então, achei “Sementes Trovejantes” bastante adequado. Afinal, estas pequenas sementes de idéias que ficam trovejando entre os meus neurônios são as que trazem estes textos à sua forma definitiva. É bastante amplo e me deixa livre para escrever sobre o que for.

Meu outro blog chamava-se “Ponderando”. Também era bom, mas não tinha senso de urgência. Talvez por isso tenha sido abandonado.

Nescau com Leite Ninho

Todo dia de manhã era só correr até a geladeira e lá estava ele: o copo de vidro azul cheio de Nescau preparado com (muito) Leite Ninho apoiado em um pires Duralex de cor âmbar. Minha mãe fazia questão de preparar esta que era a minha refeição matinal, e como eu nunca consegui fazer algo nem parecido acabei permitindo que ela continuasse com este saborosíssimo ritual até a Faculdade. Era muito bom. Tão bom que eu já acordava salivando, e bebia todo o conteúdo em fartos goles antes mesmo de escovar os dentes para saboreá-lo sem qualquer interferência. Enfim, indescritível.

Olhando para trás eu vejo que para a minha mãe este Nescau com Leite Ninho também era algo especial: era um símbolo de uma mulher cujo filho era seu único objetivo de vida, e por isso essa rotina diária também era seu alimento. Cheguei a insinuar que já não era mais necessário que ela continuasse fazendo o tal Nescau-dos-Deuses, mas sentia que, para aquela mulher que nunca soube relacionar-se com o mundo ao seu redor, seja profissionalmente ou emocionalmente, a motivação ia muito além do que eu imaginava. Prova disso é que ela nunca fez questão de me ensinar exatamente como ela preparava essa mistura tão simples. Hoje eu tenho dúvidas se fiz bem em não romper este vício. A verdade é que nunca tive coragem – tanto pelo sabor inigualável da receita quanto pelo medo de tirar de minha mãe uma de suas razões para viver.

Mais tarde, quando saí de casa, este ritual foi bruscamente e inevitavelmente interrompido. Para mim restou a árdua tarefa de tentar repetir o sucesso daquela receita. Cheguei perto, é verdade, porém tenho que confessar que no meu café da manhã acabei substituindo o Nescau com Leite Ninho por um iogurte Neston que já vem pronto. Minhas tentativas ficam restritas apenas às noites, quando tenho tempo. Sim, o tempo, o onipresente. Já para minha mãe, sinceramente, não sei o que restou. Continuo na esperança de que ela encontre outras maneiras de preencher a sua vida. Afinal, Nescau com Leite Ninho é realmente delicioso, mas não pode ter a responsabilidade de uma vida. Pode fazer, no máximo, torná-la mais doce.

Eu já vinha ensaiando a idéia de escrever um blog pessoal há algum tempo. Cheguei a montar um rascunho em um outro provedor, para ser sincero. Porém, sempre tive dúvidas sobre o conteúdo a ser escrito. Deveria ser algo do tipo “diário”, contando coisas do meu cotidiano? Eu até gostava desta idéia por ser simples e não exigir grandes criações, mas se não fosse para exercitar a criatividade de que adiantaria escrever? Então comecei a escrever textos, poemas, só que eu também não conseguia ter idéias que valessem a pena ser transformadas em textos com a frequência que um blog exige. Neste impasse acabei fazendo o seguinte: ora escrevia sobre algo corriqueiro (do tipo, “hoje eu fiz uma coisa” ou “tive um dia muito bom”…), ora escrevia textos mais complexos (algo mais filosófico ou mais reflexivo) e, na maioria das vezes, tentava interpretar coisas mundanas através de escritos mais elaborados – ou seja, uma mistura dos dois. Achei que foi uma boa fórmula.

Trouxe um exemplo de lá. Este foi um texto que eu escrevi no dia em que cheguei a conclusão de que eu estava reclamando demais e agindo pouco para resolver as coisas que me incomodavam. Foi uma maneira de dar uma sacudida na minha consciência. E assim eu descobri que minha blog-terapia funciona muito bem.

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10.01.2008

Escudo Cruel

Por que cobres teus olhos com este manto vermelho? Por que te camuflas nestas finas gotas de água salgada? Por que desfiguras teu rosto em espasmos e soluços?

Eu tenho a resposta: queres te esconder do mundo que não suportas.

Mas eu não serei condescendente e não ganharás de mim a simpatia que tanto almejas, pois és fruto da covardia. A piedade alimentará tua falta de coragem como o ar é devorado pelo fogo. Seguirás projetando-te contra o fundo deste fosso até que a dor não seja mais suportável, ou até que decidas pôr um fim em tua própria destruição.

Eu sou a tua própria crueldade, e deves temer a mim mais do que temes à morte porque eu não sou um fim: eu sou um vício. E deves livrar-te de mim para acabar com este teu escudo de dor.

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Quando eu era pequeno eu gostava muito de escrever. Nunca tive um diário nem colecionava textos, mas nas redações do colégio e nos trabalhos escritos – em papel almaço e capa de cartolina – eu exercitava com muito prazer o meu gosto pelas canetas. O auge da minha produção foi na sétima série, quando a professora de Português instituiu um correio virtual na sala para que nós escrevêssemos cartas uns para os outros. Não era algo compulsório e nem contava pontos para as notas, porque o objetivo era o puro e simples exercício da escrita . Já na primeira semana eu era o campeão de correspondências, e em pouco tempo eu não dava conta de responder para tanta gente. Eu escrevia cartas enormes, incluía fotos, enfim, era uma catarse gramatical, e todo mundo acabava mandando algo para mim para descobrir o que tanto eu tinha para contar – inclusive a professora. Fecho os olhos e me vejo na mesa da cozinha rodeado de papéis, canetas e envelopes para produzir as tais cartas.

Já com as palavras faladas eu não tinha tanta intimidade. Minha timidez sempre entrava em jogo e eu acabava usando sempre o mesmo limitado e monossilábico repertório. Eu tinha muito medo do julgamento dos outros quando abria a boca. Assim, tornei-me um excelente ouvinte, e nas horas quando eu mais precisava expressar-me eu acabava pedindo socorro ao bom e velho papel.

O tempo passou. Tornei-me engenheiro. Sim, eu também era bom com números e achei que eles trariam maiores lucros financeiros do que as palavras. Pois é, me vendi. Enfim, como todas as escolhas da vida envolvem perdas, tive que privilegiar os números. Na época da faculdade eu olhava para os meus cadernos e não acreditava que eu estava usando mais letras do alfabeto grego do que do português. Sentia muita falta das palavras escritas. Foi então que, de repente, surgiu a internet, e com ela veio o e-mail e o bate-papo virtual. Pronto. Não demorou nada para que eu tivesse alguns amigos virtuais, e logo começaram as trocas de mensagens gigantescas e diálogos quase infinitos nas salas de bate-papo. Foi um grande alívio.

Mas o tempo – sempre ele – passou mais uma vez, e eis que surgiu no horizonte a tão famosa rotina profissional. E não é que eu acabei indo parar em uma vaga de supervisão de Televendas? Sim, eu tinha que vender geladeiras por telefone, falando meia hora com cada cliente e sem poder recorrer a qualquer recurso escrito. Carta, e-mail, MSN, telegrama, fax, nada disso era permitido. Então, na marra, tive que desenvolver uma intimidade com as palavras faladas. Foi duro. Hoje eu vejo que foi um ótimo exercício, pois diminuiu a minha dependência com a escrita.

Eu acredito que tornei-me uma pessoa muito mais comunicativa do que eu era na minha infância e adolescência. Perdi o medo de falar o que penso e não ligo nem um pouco para o julgamento dos demais em relação às minhas palavras faladas. De qualquer forma, escrever continua sendo um prazer, e não há dúvida de que a minha zona de conforto é aqui, na frente de um teclado ou com uma caneta na mão.

É uma pena que eu seja muito crítico com o que eu escrevo, seja na forma ou no conteúdo. Às vezes tenho alguma idéia mas logo eu descarto-a por achar que trata-se de algo tolo ou sem importância. E, coincidentemente, hoje eu li um texto de uma pessoa que escreve maravilhosamente bem e que admitiu ter o mesmo problema de excesso de auto-crítica. Será que é porque o que escrevemos fica registrado permanentemente, e portanto não é passível de esquecimento? Escrever é uma grande responsabilidade, sem dúvida.

O bom é que aqui no meu blog só eu vejo os meus textos, e por isso posso viver à vontade esse meu fascínio pelas palavras escritas. Já essa pessoa conseguiu evoluir para um blog público. Deve ser meu próximo passo, um dia… quem sabe?

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